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Artigo - Tecnologia da Informação: Uma Nova Visão

Tecnologia da Informação: Uma Nova Visão
Autoria: David Lago

RESUMO

Nos dias de hoje, a informática não pode mais ser considerada um luxo de poucos abastados. Porém, ainda convivemos com uma visão obsoleta no que concerne às equipes responsáveis pela manutenção e desenvolvimento das tecnologias. Esta situação não é algo novo. De fato, tem sido um grande problema desde quando a tecnologia da informação se tornou uma área profissional. Esta visão incompleta e preconceituosa assola a tecnologia da informação, afastando potenciais novos profissionais, e dando margem à formação de um mau conceito da profissão, sendo causado por profissionais inexperientes, de primeiro emprego. Esta visão só será melhorada quando as organizações se conscientizarem da importância e da usabilidade desta área para contribuição significativa nos seus negócios.

Palavras-chave: Tecnologia da informação. Evolução. Visão profissional. Contribuição para Negócios.


ABSTRACT


Nowadays, Technology cannot be seen as a luxury feature, for few wealthy enterprises. However, we can still state an old-fashioned view regarding the departments responsible for maintaining and developing these fields. This condition is nothing new. Actually, this subject has been a notorious problem since the early days of Information Technology was taken as a profession. This incomplete and false assumption threatens the Information Technology industry, deterring potential new professionals and forming a bad understanding of the profession due to unskilled professionals. This point of view will only improve when enterprises understand the usability and importance of information technology, as well as its contribution to business.

Key words: Tecnologia da informação. Evolução. Visão profissional. Contribuição para Negócios.




1 INTRODUÇÃO


 

A última década apresentou notáveis evoluções numa escala exponencial dentro da área de tecnologia da informação. Por essa razão, os gerentes, independentemente da indústria em que atuam, precisam avaliar o potencial da TI, e seus possíveis ganhos dentro da organização, para que possam posicionar e reconhecer esta área devidamente. Esta visão distorcida ainda acontece atualmente, e não é algo novo. Analisando o passado, entendemos que as empresas não experimentavam tamanha necessidade de evolução tecnológica devido à baixa quantidade de processos diferenciados, a baixa complexidade dos mesmos e a visão reduzida das tarefas hoje vistas como repetitivas. Com o passar do tempo, estes números foram ficando cada vez mais intensos, principalmente em relação à quantidade de processos e às necessidades de automatizações e melhorias e as constantes mudanças processuais.


2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA


Em meio ao lançamento das versões gráficas Windows, empresas grandes e médias passaram a adquirir e incorporar computadores e sistemas dentro de suas funcionalidades organizacionais e negócios, para a utilização básica, desde a emissão de cupons fiscais, à criação de relatórios ou pequenos sistemas de controle de estoque. Esse diferencial agregou velocidade, flexibilidade, e economia de recursos. No entanto, desde que estes sistemas foram sendo utilizados em uma escala maior, uma característica inesperada se gerou: a dependência.

Hoje em dia, o controle manual por intermédio das máquinas de datilografia, ou papeladas grandes, como formulários, e relatórios ineditáveis é raríssimo. Pouquíssimas empresas criam ou mantêm arquivos em documentos físicos, provavelmente todas elas não conseguiriam funcionar na mesma velocidade ou até mesmo de outra forma, caso seus sistemas estejam indisponíveis.


2.1 A “ILUSÃO DE ÓTICA”


A visão da tecnologia da informação dentro das grandes organizações ainda é bastante superficial e porque não dizer, preconceituosa. O setor é enxergado como um pequeno item de suporte e auxílio para a organização, um investimento sem retorno, um centro de custo. Porém esse cenário não condiz com a realidade, ou da possível realidade da grande maioria das empresas que possuem um setor fixo de TI.

É notável que o processo organizacional e toda a sua estrutura vem sido enriquecido generosamente pelos serviços de TI, indo além de somente providenciar suporte para eventuais indisponibilidades, contemplando itens como o auxílio da otimização das atividades gerais, eliminação das barreiras de comunicação, geração de relatórios assistindo diretamente às tomadas de decisão estratégicas, proporcionando reações ágeis, flexíveis e robustas a eventuais problemas ou oportunidades. Os avanços tecnológicos têm proporcionado às empresas maior eficiência e rapidez na troca de informações e tomadas de decisões (Moreira, 2001), desta forma, a área específica de tecnologia deve ser enxergada como um fator de crescimento de lucros.

Os sistemas hoje providenciam gráficos, cálculos de negócio extremamente complexos, indicadores e relatórios de BI, históricos, módulos de soluções, módulos de prestação de serviços, como caixas eletrônicos, Home Banking, Cartões magnéticos, tokens, etc., sistemas de vendas, e-commerce, e-marketing, redução de custos operacionais, como suporte automático para atendimento ou equipamentos industriais mais rápidos, simples, menores, e melhores que grandes máquinas mecânicas, além da possibilidade de automatização e customização de menus, tarefas, scripts, etc.. Ainda com essa lista de itens positivos, as equipes de TI ainda não são devidamente reconhecidas.

2.2 RECONHECIMENTO PROFISSIONAL E INTEGRAÇÃO EMPRESARIAL

Mas nem todas as empresas funcionam da mesma forma. Segundo uma pesquisa do site TechSay.com feita em 2008 (TECHSAY, 2012), o ramo mais suscetível a reconhecer o papel crítico de TI para seus negócios são as instituições de serviços financeiros, justificando suas posições sobre as informações oportunas que permitem agregar mais valor e qualidade aos produtos e serviços oferecidos, melhora dos processos decisórios e a garantia de sobrevivência num mercado cada vez mais turbulento e competitivo.

Estas empresas desenvolvem sua credibilidade na segurança dos serviços oferecidos. Tais organizações, que geralmente possuem ações na bolsa nacional, no Brasil, por exemplo, respondem diretamente à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e cada vazamento de informações ou outros eventos relacionados à segurança devem ser levados a conhecimento público. Tais eventos podem manchar a reputação da empresa, provocando sérios danos ao negócio. O reconhecimento deve vir vinculado à responsabilidade das equipes desenvolvedoras e mantenedoras de tais sistemas e serviços.

Para as grandes empresas com serviços de TI estendidos, é preciso ter uma mentalidade avançada para maximizar a equipe e toda a sua utilidade potencial. Para que isso aconteça, é necessário promover uma integração do setor à estratégia de negócio. É interessante que os investimentos de TI estejam associados a um objetivo organizacional, para que se possa contribuir para o seu alcance. (BEAL, 2001). Os próprios processos organizacionais devem estar de acordo com as normas de boas práticas e gerenciamento de serviços de TI. A integração propõe que cada vez que um processo organizacional sofre uma mudança, novas exigências de informação surgem, desta forma, novos investimentos em TI são necessários. O correto seria que a remodelagem de processos oriente a aquisição de tecnologia da informação, e não o contrário.

Figura 1: Ciclo de TI dentro de uma empresa
Fonte: ITIL, 2004

Segundo o ITIL (Information Technology Infrastructure Library), os processos organizacionais devem seguir os passos deste ciclo apontado na figura 1. A prática destas normas de boas práticas fornecem uma melhor gestão tática e operacional, objetivando alcançar o alinhamento estratégico com os negócios. Existem diversos recursos para estes fins, como o BSC (Balanced Scoreboard), COBIT, SCRUM, XP, etc.. A integração promovida por tais ferramentas aumenta consideravelmente a contribuição voltada aos negócios, assim como torna a TI proativa, ao invés de reativa, prejudicando o timing das aplicações de serviços.

Uma empresa que ignora as boas práticas e o processo desenhado pelo ITIL, está sujeita principalmente à implantação de tecnologia cara e inútil para a empresa, além de prejudicar a reputação de TI na empresa, consequentemente no mercado.

Segundo dados da CATHO ONLINE, em uma pesquisa realizada em 2010, entrevistando 250 mil pessoas no país, a média salarial brasileira está em torno de R$2.100,00. Este salário, que é considerado baixo em comparação às outras profissões e cargos não relacionados com TI em uma grande empresa, provoca certo afastamento de potenciais novos profissionais de TI. É um reflexo negativo do reconhecimento débil da área de TI nas grandes empresas. O baixo valor impossibilita ou dificulta a reciclagem de conhecimento dos seus profissionais, uma vez que quem atua no setor de tecnologia tem que investir constantemente em capacitação, pois todos os dias surgem novidades na área. Esta situação se intensifica ainda mais o cenário de TI, quando estes baixos salários atraem profissionais de início de carreira e inexperientes, potencialmente prejudicial à reputação da profissão, e consolidando ou justificando os salários.

 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A área de tecnologia da informação em um ambiente empresarial nos dias de hoje está muito mais voltada para resultados mensuráveis de seu desempenho do que a simples gestão de hardware ou software. Como sugerido neste artigo, a área de TI da maioria das grandes empresas deveria ser vista como um setor de negócios, cujos principais objetivos são oferecer suporte ao principal processo de negócio da empresa, e garantir a estabilidade dos seus serviços. Isto é inegavelmente crucial para uma empresa, justificando a grande importância do setor. Se as grandes organizações não começarem a entender esta visão, estaremos fadados à inércia de um estágio que já se foi, época em que tecnologia era visto como uma necessidade de poucos e um luxo para outros. A sociedade ainda não está preparada e esse processo, mesmo considerando os grandes avanços tecnológicos.

Uma sugestão interessante seria promover treinamentos em informática, que façam referência à equipe de TI, demonstrando sua importância para o ambiente empresarial, fornecendo maiores informações para os outros setores da organização, consequentemente melhorando o reconhecimento. A falta de integração e o não entendimento da estrutura e funções das equipes de TI é a principal causa dos retrabalhos, confusões e desconfiança. Ainda relevante seria avaliar o nível de envolvimento da alta administração com assuntos pertinentes à Tecnologia da informação e, junto a profissionais de administração, avaliar para a empresa em questão, quais conceitos e habilidades em TI seriam imprescindíveis para a empresa.



REFERÊNCIAS


BEAL, Adriana. A Importância da TI para as organizações. 2001. Disponível em: http://www.2beal.org/ti/manuais/GTI_INTRO.PDF. Acessado em: 15 maio. 2012.

Apostila ITIL, The Key to Managing IT Services – Fundamentos. 2004, IT Partners v5.0.

MOREIRA, Nilton Stringasci. Segurança mínima: uma visão corporativa da segurança de informações. Rio de Janeiro: Axcel Books, 2001. 240p

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